Chico Nogueira

1. Nome, idade e ocupação:
Chico Nogueira, 55, ator, diretor, sonoplasta, fotógrafo, professor, tradutor, locutor...

2. Por que você faz o que faz, qual a satisfação que te dá?
Vontade de me expressar, de exercitar as palavras, a fala, o corpo, o intelecto e, logicamente, me inserir no mundo.
A satisfação maior, com certeza, é do espírito, já que grana dá muito pouco se você não faz televisão, não é?

3. Onde você gostaria chegar com sua ocupação? Qual o máximo que gostaria de atingir, ainda que fosse utópico?
Ser um artista popular e disputado, como, por exemplo, Paulo Autran foi e Marco Nanini é. Chegar a um patamar onde pudesse fazer só o que gosto, ganhando o suficiente para não mais sofrer sobressaltos.

4. Que outra coisa acha que poderia fazer se não fizesse isso? Acredita na idéia de vocação (“Nasci para isto”)?
Eletrônica, talvez, já que adoro montar e desmontar aparelhos de som e vídeo. Acredito muito em vocação, sim! É o que segura as barras difíceis da vida e faz a gente ir em frente.

5. Que outra coisa você não suportaria fazer?
Ser bancário até o fim da vida. Larguei dessa profissão com quase12 anos de casa.

6. Você se preocupa com a transcendência do seu trabalho? Gostaria de alcançar a fama e a glória?
Sim, acredito que todo artista busca isso. E, logicamente, ser notado, ser reconhecido, ser prestigiado, ser bem remunerado. Penso que fama e glória podem ter as suas vantagens, mas também penso em como sua vida particular fatalmente vira pública. E, convenhamos, não há nada como ter liberdade...

7. Você acha que gênios existem? De onde vem sua capacidade especial?
Acredito, sim! Mozart, Picasso, Dali, Olivier, Jobim, Shakespeare foram gênios. E outros tantos foram ou são! Minha capacidade... não sei bem, mas sempre me esforcei muito para suplantar as dificuldades, por exemplo, de ter nascido em uma família simples. Cheio de idéias e vontades, com uma cabeça boa e com muito bom-humor, fui sempre atrás das coisas, e, sempre buscando não ferir ninguém, fui pulando obstáculos pela vida afora.

8. O que é a arte para você?
Aquilo que vem da inspiração das pessoas, da vontade de se expressar, de colocar seu ponto de vista, seja pelo belo, seja pelo crítico, etc.e tal.. Arte, para mim, é algo feito para - emocionando ou não - sempre nos “tocar” de algum modo.

9. Quem te inspira? Por quê?
Tom Jobim, Mozart, Shakespeare, Bob Fosse, Paulo Autran, Marco Nanini. Porque sempre senti nesses artistas uma vontade imensa de dividir seus sentimentos, mostrar sua generosidade e seu interesse pelo ser humano.

10. O que você está lendo agora? Qual o livro preferido em sua biblioteca?
Por força do trabalho, lendo os roteiros de um programa educativo que vou começar a gravar na próxima semana em SP. Meu livro preferido, sei lá... Mas tenho um carinho muito especial por “Dinorah”, do Dalton Trevisan. Acho que porque está autografado pelo autor. Me orgulho disso!!!!

11. Como é seu processo criativo? Quanto tempo passa desenvolvendo uma ideia? Sou muito racional. Se tenho tempo hábil, busco ler muito e muito e ouvir muito e muito também. Uma idéia em desenvolvimento... bom, para mim, depende, da rapidez com que sou solicitado. Busco, tanto quanto possível, não me apegar demais a certas coisas – ao contrário do meu apego apaixonado às pessoas! Em outras palavras, fujo do sofrimento inútil.

12. PC, MAC ou lápis e papel? Por quê?
PC, porque já estou muito acostumado a ele.

13. Blog, Fotolog, Orkut, Facebook ou Twitter? Por quê?
Estou em três desses sites de relacionamento. Gosto desse modo “moderno” de dizer “oi” às pessoas do mundo inteiro, embora continue achando que nada substitui o contato pessoal! Não tenho saco para escrever em blogs e coisa e tal. Mas leio os dos amigos e de jornalistas que me interessam.

14. Existirmos, a que será que se destina?
“O amor é a única razão da vida”, alguém já disse. Eu concordo – em número, gênero e grau.

15. Lo que dices y lo que piensas, es lo mismo?
No es lo mismo pero es igual.

16. Qual o melhor momento do dia para trabalhar? Por quê?
Em casa, prefiro que seja à noite, quando as pessoas “normais” dormem, o telefone não toca, essas coisas. Fora, se não me ocupei de nada pela noite adentro, prefiro as manhãs, quando o cérebro está mais descansado.

17. Qual seu site preferido?
Nenhum em especial, mas leio uma porção – de notícias e de humor, principalmente.

18. É necessário muito treinamento técnico para exercer sua profissão?
Com certeza! Com arte, aprimoramento é fundamental, é sempre necessário!

19. Você se incomoda que critiquem seu trabalho?
Fico preocupado quando não criticam. Mas, graças a Deus, não sou ególatra e sei bem distinguir o elogio verdadeiro do falso, a crítica construtiva da odiosa. É um aprendizado conviver com as diferenças de idéias.

20. Acredita nisso de “não há nada de novo sob o sol”? Você gosta de experimentar e inovar?
Como Lavoisier, acredito que tudo se transforma. Pela minha grande curiosidade – sempre fui assim -, adoro transitar por vários territórios da arte. Como ator ou diretor, por exemplo, fico feliz de não me ater a nenhum gênero, a nenhum autor, a nenhum diretor. Adoro um grande drama e também uma comédia rasgada. Faria, com muito prazer, um texto do Botho Strauss e um do Dario Fó; seria dirigido (se eles quisessem, óbvio), por Cláudio Botelho ou por Peter Stein. Variedade é fundamental , para não se ficar bitolado, preconceituoso e mau-humorado.

21. Drama ou comédia?
Ambos. E se estiverem juntos, melhor ainda!

22. Houve algum momento que tenha se dito: “Abandono tudo, não quero mais isso pra mim”?
Sim, quando saí do banco, depois de quase 12 anos ali trabalhando.

23. Acredita no conceito de alma, espírito, energia vinculada (ou separada) ao corpo?
Tenho cá minhas dúvidas, como qualquer mortal. Mas, com certeza, penso sempre na existência de um ser superior. E agradeço a ele a minha existência e as coisas que tenho recebido.

24. Voce já diz “No meu tempo não era assim!” ou “Que maravilha a época em que vivemos!”?
Normal fazer comparações, não? Embora não viva no passado, gosto sempre de lembrar com carinho de tudo por que já passei, mesmo os maus momentos, pois, de uma forma ou outra, acabaram, junto com os bons, forjando o meu caráter.

25. Os seus nervos são de aço?
Às vezes. Mas, sentimental que sou, derreto-me muito também.

A CLÁSSICA: O que você gostaria de ouvir de Deus quando chegasse lá?
“Ih, volta lá pra baixo! Ainda não era sua vez!” Bom, acho que ele já me disse isso antes – em, pelo menos, duas oportunidades. Agradeço muito, inclusive!

Como é seu local de trabalho?
(o local de trabalho dele é o palco, e ele respondeu que era uma bagunça arrumadinha)
CHICO E MICHELE - HITCHCOCK BLONDE (2009).
Obrigada Chico. Conheçam mais sobre este Senhor no Orkut e Facebook.
Lá verão muitas fotos dele em espetáculo ou de sua autoria. Comprovem como foi bom termos menos um bancário neste país.

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