Vanessa Agricola

1. Nome, idade e ocupação:
Vanessa Agricola, 30 anos, Publicitária, Roteirista, Titia favorita.

2. Por que você faz o que faz, qual a satisfação que te dá?
Tem um dito: "Felicidade dividida é o dobro de felicidade. Tristeza dividida é metade da tristeza". Acho que é por aí.

3. Onde você gostaria chegar com sua ocupação? Qual o máximo que gostaria de atingir, ainda que fosse utópico?
Sabe quando você contempla alguma coisa, qualquer coisa, e então alguma coisa em você muda? Quero fazer alguma qualquer dessas. Será o máximo.

4. Que outra coisa acha que poderia fazer se não fizesse isso? Acredita na idéia de vocação (“Nasci para isto”)?
Ainda não tenho uma ocupação só. Agora mesmo estou buscando mais uma, como tradutora. Preciso de espaço, independência, silêncio... escrever me permite tudo isso. Talvez tocar violão, mas não tenho o dom. Acredito na vocação.

5. Que outra coisa você não suportaria fazer?
Política.

6. Você se preocupa com a transcendência do seu trabalho? Gostaria de alcançar a fama e a glória?
Me preocupo em finalizar esse projeto. E que fique bem feito. E que demais projetos vinguem. E que venham outros... Na minha pirâmide de Maslow transcender está lá pra cima. Fama e glória também.

7. Você acha que gênios existem? De onde vem sua capacidade especial?
Aos montes! Minha lista é interminável, vai de Fellini à Daniel Filho, o gênio na arte de fazer dinheiro com a Glória Pires. A capacidade do Fellini eu acho que veio de Deus, a do Daniel eu não sei não.

8. O que é a arte para você?
...O registro de um sentimento humano? Obra-de-arte é registro histórico.

9. Quem te inspira? Por quê?
Os homens. Por causa do amor ♪

10. O que você está lendo agora? Qual o livro preferido em sua biblioteca?
O último da trilogia Aghora, The Law of Karma. Não leio tanto, chega me dar vergonha, mas do que li, Manuelzão e Miguilim li e reli. Sei de cor as falas do Tio Terêz, do Dito, de Mãe... Sou fã do Guimarães Rosa, palavras tão simples. Faz parecer tão fácil.

11. Como é seu processo criativo? Quanto tempo passa desenvolvendo uma idéia?
Acontece. Uma conversa na fila da padaria me rende que é uma beleza. Gosto de escutar as pessoas, também sou voyeur, coloco óculos escuros e fico de butuca. Não crio, copio. O tempo todo.

12. PC, MAC ou lápis e papel? Por quê?
Mac. Porque se fosse líquido eu bebia.

13. Blog, Fotolog, Orkut, Facebook ou Twitter? Por quê?
Blog. Fotolog só na outra vida. Orkut passou. O Facebook já é quase um Twitter.

14. Existirmos, a que será que se destina?
To be or not to be...

15. Lo que piensas y lo que dices, es lo mismo?
Quem, yo?! Eu devia vir com tecla SAP.

16. Qual o melhor momento do dia para trabalhar? Por quê?
De tarde em diante. É quando eu acordo.

17. Qual seu site preferido?
Ai, não sei preferir.... Wikipedia? O preferido de hoje foi esse http://natural-selecao.blogspot.com/ e esse aqui http://desiretoinspire.blogspot.com/, cheios de lindezas.

18. É necessário muito treinamento técnico para exercer sua profissão?
Algumas pessoas dizem que não precisam. Eu preciso. Estudar, treinar, saber as regras. Criatividade eu acho é instinto, escrever não. “Escrever é reescrever”, regra numero 1.

19. Você se incomoda que critiquem seu trabalho?
Tenho três tipos de críticos. Têm os amigos, com quem eu trabalho, e os clientes, pra quem eu trabalho. Dos amigos eu imploro por críticas, só me ajudam. Os clientes não me criticam, me obrigam a digitar palavras, substancialmente, nem sei o que significam. O terceiro crítico sou eu. Ninguém me azucrina mais.

20. Acredita nisso de “não há nada de novo sob o sol”? Você gosta de experimentar e inovar?
Torço para relançam logo Frankenstein. Quero muito ver o monstro sagrado na maquiagem de hoje. Não será inovador? Discordo do autor.
Experimentar eu adoro! Só não experimento muito no consumo. Essa coisa de Higi Calcinha não é comigo, cerveja Itaipava...

21. Drama ou comédia?
Comédia. Fui inventar de escrever um drama, passei três meses borocochô e ainda perdi o concurso. Ficou tão bonitinha a história do meu Genêis...fiquei triste. Escolheram um reality bacanudo de moda.

22. Houve algum momento que tenha se dito: “Abandono tudo, não quero mais isso pra mim”?
Não abandonei a publicidade, comecei a fazer roteiro. Abandonei o salário, segurança. “Vai estudar cinema!? Vai gastar todo o seu dinheiro!?”. Fui, sem olhar pra trás. Na minha matemática ganhei conhecimento, money comes, money goes...

23. Acredita no conceito de alma, espírito, energia vinculada (ou separada) ao corpo?
Eu só não acredito na religião.

24. Você já diz “No meu tempo não era assim!” ou “Que maravilha a época em que vivemos!”?
Do meu tempo eu só gostava mais dos meus cabelos. Estamos melhor agora, com super poderes, ao lado das crianças de hoje, os super-humanos! Que maravilha poder compartilhar o mundo com eles.

25. Os seus nervos são de aço?
Costumavam ser uma piada, hoje são engraçados.

A CLÁSSICA: O que você gostaria de ouvir de Deus quando chegasse lá?
Fica comigo essa noite.

Como é seu local de trabalho?
Obrigada Vanessa! Me diverti muito com a resposta 20.
Conheçam mais sobre essa Mademoiselle aqui, e encontre-a aqui.
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Carlos Careqa

fotos de Edson Kumasaka
1. Nome, idade e ocupação:
Carlos Careqa, 47, musico e ator.

2. Por que você faz o que faz, qual a satisfação que te dá?
Tantas vezes já pensei e sair dessa. Quantas vezes me vi angustiado fazendo o que faço. Mas sinto que não tenho muitas saídas. Gostaria de ter estudado medicina, engenharia ou mesmo ter terminado o meu curso de Direito, que parei no segundo ano.
A música, me pegou de jeito. Gosto de compor canções. Ando em débito com elas, mas gosto muito. Gosto de estar no palco, fazer as pessoas refletir sobre determinado assunto. Gosto de pensar e de fazer pensar. Isto me dá prazer.

3. Onde você gostaria chegar com sua ocupação? Qual o máximo que gostaria de atingir, ainda que fosse utópico?
No momento gostaria de fazer mais shows, pelo Brasil mesmo. Não tenho grandes planos. Ter uma agenda razoável, não muitos shows, apenas o razoável.

4. Que outra coisa acha que poderia fazer se não fizesse isso? Acredita na idéia de vocação (“Nasci para isto”)?
Acredito sim. Vocação, ser chamado. Acho que fui chamado para isto. Mas gostaria de ter uma ocupação que mexesse menos com a vaidade. Mas isto sim é utópico... hehehehe.

5. Que outra coisa você não suportaria fazer?
Quebrar pedras, Carregar sacos de cimento... tanta coisa.

6. Você se preocupa com a transcendência do seu trabalho? Gostaria de alcançar a fama e a glória?
Mais ou menos. Gostaria somente de ser mais ouvido. Fama e glória não pertence muito a gente. No futuro ninguém sabe o que acontecerá.

7. Você acha que gênios existem? De onde vem sua capacidade especial?
Acredito que tem gente muito talentosa, e por isso se tornam gênios. Mas no meu caso, acho que tudo vem de um certo trabalho e também de uma certa preguiça...
Não acho que tenho capacidade especial, apenas tento estar atento a tudo e transformo isto em canção.

8. O que é a arte para você?
Taí uma pergunta difícil. Não sei responder. Quando vejo um quadro do Van Gogh, acho que seja arte. O que eu faço é entretenimento. Tem algumas pitadas de arte, aqui e acolá...
Quando escuto Mozart, acho incrível, vejo muita arte ali...
Mas acho arte tem este papel de trasnformar as pessoas...

9. Quem te inspira? Por quê?
Tom Waits, Arrigo Barnabé, Lars von Trier, Rickie Lee Jones, pois todos estes estão inquietos e procurando novas formas de se comunicar....

10. O que você está lendo agora? Qual o livro preferido em sua biblioteca?
Putz, não tenho lido muito ultimamente. Folheio um ou outro livro. Ganhei um livro do Adolfo Bioy Casares, A invenção de Morel, ainda não terminei.
Meu livro de cabeceira é o LIVRO DO TAO, de Lao Tse...

11. Como é seu processo criativo? Quanto tempo passa desenvolvendo uma ideia? Busco nas ruas, na televisão, nos amigos. As vezes passo meses pensando numa canção... As vezes ela sai em minutos...

12. PC, MAC ou lápis e papel? Por quê?
Mac...
Papel também é bom, pois fica mais quentinho...
O Mac é uma invenção genial... pena que pagamos caro por isso.

13. Blog, Fotolog, Orkut, Facebook ou Twitter? Por quê?
Vixe maria, tudo... resolvi aderir totalmente. Só não tenho blog, pois dá muito trabalho... Mas estou em todos. Pois isto ajuda a divulgar meu trabalho... e adoro estar em contato com os amigos. (nossa que frugal que fui agora...)

14. Existirmos, a que será que se destina?
Bela pergunta, sem resposta!
Viver é bom.

15. Lo que dices y lo que piensas, es lo mismo?
As vezes sim. Me esforço para ser coerente comigo e com os pensamentos. Mas é difícil, as vezes me vejo mentindo para mim mesmo, ou até para os outros. Porém 99% tento ser honesto comigo...

16. Qual o melhor momento do dia para trabalhar? Por quê?
Com Certeza, na madrugada, pois sei que estou só. Silêncio e muita paz.

17. Qual seu site preferido?
No momento o Myspace e o Facebook.

18. É necessário muito treinamento técnico para exercer sua profissão?
Sim e não. Quando se é um cara muito talentoso ele já nasce com tudo em cima.
No meu caso, sempre estou buscando aprender algo novo...

19. Você se incomoda que critiquem seu trabalho?
Não. Adoro, quando recebo crítica... Só fico chateado quando falam besteiras.... mas isto não tem acontecido.

20. Acredita nisso de “não há nada de novo sob o sol”? Você gosta de experimentar e inovar?
Acho que cada vez é mais duro. Mas ainda temos muito chão pela frente. Muitas coisas novas vão aparecer. A internet é uma prova disso tudo. A TV está sendo reinventada pelo Youtube. A musica está passando por um processo, pelo mp3...
Eu gosto muito de experimentar sim, coisas que eu sei vão acrescentar ao meu trabalho.

21. Drama ou comédia?
Comédia com um pouquinho de drama.

22. Houve algum momento que que tenha se dito: “Abandono tudo, não quero mais isso pra mim”?
Nossa, perdi as contas... muitas vezes.

23. Acredita no conceito de alma, espírito, energia vinculada (ou separada) ao corpo?
Sei lá. As vezes acredito, as vezes rezo muito. As vezes gosto de pensar que nada existe, que tudo é transformação como as árvores... mas sinto que tem algo por trás de tudo isso....

24. Voce já diz “No meu tempo não era assim!” ou “Que maravilha a época em que vivemos!”?
Ainda não. O meu tempo é agora como diz o Paulinho da Viola.

25. Os seus nervos são de aço?
Nada. Meus nervos são de Bombril... Qualquer coisa enferruja ou queima logo... Mas tenho amadurecido muito nos últimos 47 anos.

A CLÁSSICA: O que você gostaria de ouvir de Deus quando chegasse lá?
“Senta aqui, não fique aqui tão quieto, senta aqui”

Como é seu local de trabalho?
Tenho um estúdio caseiro, e um escritório pequeno para trabalhar.
E um Iate no quintal para quando estou com preguiça, deito lá e pego um sol.

Obrigada Careqa.

Conheçam mais sobre este Senhor aqui. Ouçam algumas de suas músicas (vale a pena!) aqui. Aqui ele de Tom Waits (demais!). E abaixo a minha favorita.


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Luciano Stabel

1. Nome, idade e ocupação:
Luciano Miranda Stabel, 28 anos, fotógrafo.

2. Por que você faz o que faz, qual a satisfação que te dá?
Ao se lidar com uma atividade relacionada a arte, existe alguma coisa de realização pessoal muito grande nisso, algo intimamente relacionado inclusive com crenças pessoais. No meu caso, gosto de parafrasear o Sebastião Salgado, que diz que o foto jornalista navega na crista da onda da história, e isso me atrai muito... vou parar essa questão aqui pois se continuasse, começaria a responder as próximas!

3. Onde você gostaria chegar com sua ocupação? Qual o máximo que gostaria de atingir, ainda que fosse utópico?
Justamente o que citei acima. Gostaria, de alguma forma, deixar algo que tenha produzido na história. Algo que daqui 100, 200 ou 300 anos, tenha alguma relevância e que seja lembrado.

4. Que outra coisa acha que poderia fazer se não fizesse isso? Acredita na idéia de vocação (“Nasci para isto”)?
Não acredito na ideia de vocação. Acredito que circunstâncias e ambiente podem te proporcionar condições de desempenhar alguma coisa ou algum papel de forma bem feita. Se não trabalhasse com fotografia, tranquilamente como trabalharia com marketing (coisa que ainda faço na verdade), pois além de tudo, toda minha formação acadêmica está nessa área.

5. Que outra coisa você não suportaria fazer?
Não seria advogado em hipótese alguma. Gostaria de entender mais de direito para me defender, mas advogar, é algo que não faria nem em sonho.

6. Você se preocupa com a transcendência do seu trabalho? Gostaria de alcançar a fama e a glória?
Acho que na fotografia existe algo mais ou menos como na música. Há coisas e situações que fotografo para mim, há coisas e situações que fotografo para clientes. Normalmente, o que se faz para clientes existe dentro de uma certa perecibilidade. Já o que faço para mim, gostaria que tivesse certa transcendência (já citada em resposta anterior), mas fama propriamente dita não. Claro que gostaria de ter reconhecimento profissional em esferas maiores, mas a “fama pela fama”, não.

7. Você acha que gênios existem? De onde vem sua capacidade especial?
Não sei se gênio seria um termo adequado... mas sem dúvida existem profissionais na fotografia que se destacam por um algo mais. Também não diria capacidade especial, diria que o resultado da minha produção vem de bastante estudo, força de vontade, persistência e paciência.

8. O que é a arte para você?
Não dá pra pular essa? (aqui ele colocou uma carinha rindo)

9. Quem te inspira? Por quê?
Busco formas de inspiração diferenciadas. Evidente que se busca inspiração em nomes dentro da própria fotografia (Evandro Teixeira, Sebastião Salgado, Cartier-Bresson, Steve McCurry, Annie Leibovitz, Joel Sartore, Art Wolfe... ih, a lista é longa!), mas além disso, também busco inspiração em outras formas de arte, como literatura (sim, literatura!), pintura e cinema.

10. O que você está lendo agora? Qual o livro preferido em sua biblioteca?
Agora estou lendo “Breve História do Canadá”, de Desmond Morton. Não tenho um livro favorito, mas diria que sou muito fã do Amyr Klink e das mensagens nos livros dele.

11. Como é seu processo criativo? Quanto tempo passa desenvolvendo uma ideia? Não existe um método engessado, cada situação é diferente uma da outra... Já tive situações em que passei mais de semana tentando achar a melhor solução, em outras, tão desafiadoras quanto, a solução foi encontrada em meia hora.

12. PC, MAC ou lápis e papel? Por quê?
Os três. No meu caso, PC tratamento de imagens pesado. Mac (meu note), uso para editar imagens mais simples, para uso na internet e vivo com ele para onde eu vou. Lápis e papel sempre é bom para rabiscar algumas ideias.

13. Blog, Fotolog, Orkut, Facebook ou Twitter? Por quê?
Depende... pra manter contato com os amigos Orkut. Para curtir e compartilhar minha produção, Flickr (fotolog).

14. Existirmos, a que será que se destina?
No dia que a gente descobrir, vai perder um pouco da graça...

15. Lo que piensas y lo que dices, es lo mismo?
Nem sempre, mas normalmente sim... Enfim, as vezes é necessário ser polido e não dizer tudo o que se pensa, assim como as vezes também não dá para ser sincero demais.

16. Qual o melhor momento do dia para trabalhar? Por quê?
Qualquer hora é hora para estar com a câmera na mão... mas na rua, para fotografar, gosto do amanhecer e do entardecer.

17. Qual seu site preferido?
O favorito não, porém o que mais uso é o Flickr (http://www.flickr.com/).

18. É necessário muito treinamento técnico para exercer sua profissão?
Sim. Técnico e também emocional... digo isso pois em Inter 2 x 1 Flamengo, enquanto cobria o jogo e saiu o segundo gol do Internacional, não foi fácil segurar a vontade de gritar gol. A propósito, essa foi a única vez que saí do controle durante uma cobertura de futebol.

19. Você se incomoda que critiquem seu trabalho?
Não, escuto críticas o tempo todo... esse tipo de trabalho sem crítica não existe. E se não criticarem, é porque realmente existe algo de errado.

20. Acredita nisso de “não há nada de novo sob o sol”? Você gosta de experimentar e inovar?
Não acredito nisso... sempre tem coisa nova surgindo por aí.

21. Drama ou comédia?
Os dois, mas me inclino mais a comédia.

22. Houve algum momento que que tenha se dito: “Abandono tudo, não quero mais isso pra mim”?
Sim... várias vezes, mas nenhuma vez por insatisfação com a atividade em si, mas sim com o complicado retorno financeiro e a baixa percepção de valor de pessoas/empresas para com a fotografia.

23. Acredita no conceito de alma, espírito, energia vinculada (ou separada) ao corpo?
De certa forma sim. Como dizem, somos o que pensamos que somos.

24. Voce já diz “No meu tempo não era assim!” ou “Que maravilha a época em que vivemos!”?
Sendo meio controverso: pelas tecnologias, “que maravilha”! Pela violência e desrespeito cada vez maior entre as pessoas e meio ambiente, “no meu tempo não era assim”.

25. Os seus nervos são de aço?
Não... longe disso, mas tento me controlar.

A CLÁSSICA: O que você gostaria de ouvir de Deus quando chegasse lá?
Desce lá de novo, te dou outra chance de fazer tudo mais uma vez.

Como é seu local de trabalho?

Obrigada Luciano!

Conheçam mais sobre este jovem Senhor aqui e aqui.

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Fernando José Karl


1. Nome, idade e ocupação:
Fernando José Karl: 48 anos. Escritor.

2. Por que você faz o que faz, qual a satisfação que te dá?
Eu faço o que faço por causa do rhythm-and-blues que vaza de cada vocábulo que pronuncio. A satisfação: a mesma que passar a língua na pele da moça nua ou escutar o abandono do vento que ondula a cortina.

3. Onde você gostaria chegar com sua ocupação? Qual o máximo que gostaria de atingir, ainda que fosse utópico?
Eu gostaria de chegar a nado a nada e atingir a sabedoria do Tao, onde eu a xícara de chá possamos ser um; eu e o ópio sejamos um; eu e o vento dancemos ante o leão.

4. Que outra coisa acha que poderia fazer se não fizesse isso? Acredita na idéia de vocação (“Nasci para isto”)?
Eu gosto muito de grafar linhas na página em branco, ou em palavras mais simples: desenhar. Creio piamente que, da mesma maneira que um golfinho é um golfinho; um pêssego é um pêssego; eu sou um poeta: irmão das coisas fugidias; um poeta que escreve porque as árvores não podem escrever; porque os gatos também não podem; eu não creio na palavra “vocação”, mas aprecio a palavra “chamado”.

5. Que outra coisa você não suportaria fazer?
Eu não suportaria fazer sexo com um ventilador em pleno funcionamento. E, também, não suportaria escutar, minuto a minuto, a voz do Sílvio Santos e a voz do Faustão, porque a voz deles é a própria carniça no sovaco da cárie.

6. Você se preocupa com a transcendência do seu trabalho? Gostaria de alcançar a fama e a glória?
Não tô nem aí para a transcendência do que escrevo. Nem quero fama nem glória. Quero, sim, ir ao fundo do desconhecido para encontrar algo absolutamente novo. Quero que Prosérpina – a visionária no interior de minha memória – nunca me esqueça no quarto escuro com a mamba negra.

7. Você acha que gênios existem? De onde vem sua capacidade especial?
O escritor alemão – Novalis – costumava dizer que isto que chamam de gênio é simplesmente o “gênio” do gênio. Ou o “discernimento vital” do discernimento vital. Sim, acredito no gênio, pois o foram Beethoven, Guimarães Rosa, Picasso. Minha relativa habilidade para escrever, penso, vem de Algo ou do sujeito puro do conhecimento, onde não existe o tempo nem o espaço. E Algo, para mim, é render loas ao Shiva na chuva.

8. O que é a arte para você?
É a matéria mais fina de toda certeza. Para mim arte é o que eu fazia quando menino: escutava o céu em silêncio durante o dia e, à noite, conversava com ele. Arte é o sim primordial, e a arte sopra onde quer.

9. Quem te inspira? Por quê?
Tudo o que coroa o nó de fogo me arrebata.

10. O que você está lendo agora? Qual o livro preferido em sua biblioteca?
Estou lendo “Um homem que dorme”, do Georges Perec. O livro que reverencio em minha pequena biblioteca é “Dom Casmurro”, de Machado de Assis.

11. Como é seu processo criativo? Quanto tempo passa desenvolvendo uma ideia?
O meu processo criativo só molha a pedra seca quando me sinto um verme num pomar de estrelas. E quando constato que toda escrita é porcaria, que toda palavra é moeda falsa. Vem à tona meu processo criativo quando estou vazio, quando, na máxima tensão, consigo permanecer sem intenção. A intenção de escrever algo sublime é o cadáver que não devemos cultuar. Sou da opinião de que é a idéia que me desenvolve. A idéia no sentido que lhe conferiu Platão: “Uma idéia sempre é, mas nunca vem a ser, nem deixa de ser”.

12. PC, MAC ou lápis e papel? Por quê?
Odeio PC, MAC. Amo lápis e caneta BIC preta. O motivo é singelo: o lápis e a caneta estão mais próximos de minha infância.

13. Blog, Fotolog, Orkut, Facebook ou Twitter? Por quê?
Tudo isto é o mal necessário; porque sim.

14. Existirmos, a que será que se destina?
Para serenarmos onde arde o sono toda a ventura. “O sono é uma rosa”, diziam os persas. Existir para aprender a perder ossos, músculos, nervos; menos a voz e a luz. Eis. Existir para saber que devo despertar, não do sonho, mas do estado de vigília. E saber, igualmente, que a árvore que eu vislumbro fora de mim também está dentro de mim.

15. Lo que piensas y lo que dices, es lo mismo?
Claro que sí; claro que nem água.

16. Qual o melhor momento do dia para trabalhar? Por quê?
De madrugada, sem dúvida, porque daí posso escutar a voz do silêncio com mais acuidade.

17. Qual seu site preferido?
Nenhum.

18. É necessário muito treinamento técnico para exercer sua profissão?
O único treinamento técnico que eu possuo é ter as orelhas sempre verdejantes e os lábios calcinados.

19. Você se incomoda que critiquem seu trabalho?
Nem um pouco.

20. Acredita nisso de “não há nada de novo sob o sol”? Você gosta de experimentar e inovar?
Só não há de novo nesta frase do Eclesiastes. Adoro inovar e experimentar carne do salmão que singra no meio da névoa.

21. Drama ou comédia?
Drama.

22. Houve algum momento que que tenha se dito: “Abandono tudo, não quero mais isso pra mim”?
Nunca.

23. Acredita no conceito de alma, espírito, energia vinculada (ou separada) ao corpo?
Acho completamente furada toda a teoria de alma/espírito/energia. Não creio em nada disto. Agora, aprendi com Espinosa que a alma nem sabe da existência do corpo.

24. Voce já diz “No meu tempo não era assim!” ou “Que maravilha a época em que vivemos!”?
Eu digo: eu quero uma noite, só mais uma noite de amor com a moça nua.

25. Os seus nervos são de aço?
De açucena meus nervos; e duros como o diamante.

A CLÁSSICA: O que você gostaria de ouvir de Deus quando chegasse lá?
Eu e você somos um. Mas eu diria a Deus: tenha um corpo você mesmo uma vez, como eu, e veja o que acontece.

Como é seu local de trabalho?
Meu local de trabalho é o ar que eu respiro.
Obrigada Karl. Claro como água.
Conheçam mais sobre este senhor aqui.
E aqui você pode comprar seu mais recente livro Casa de Água.
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Fábio Bruggemann



1. Nome, idade e ocupação:
Fábio Brüggemann, 47, escritor e editor.


2. Por que você faz o que faz, qual a satisfação que te dá?
Porque não saberia fazer outra coisa. A satisfação é ser lido.


3. Onde você gostaria chegar com sua ocupação? Qual o máximo que gostaria de atingir, ainda que fosse utópico?
Eu queria ganhar um milhão de dólares fazendo o que faço. Me parece bastante utópico.


4. Que outra coisa acha que poderia fazer se não fizesse isso? Acredita na idéia de vocação (“Nasci para isto”)?
Eu queria ganhar um milhão de dólares fazendo o que faço. Me parece bastante utópico.


5. Que outra coisa você não suportaria fazer?
Qualquer tarefa repetitiva e que tenha que cumprir um horário fixo. Pensando bem, as corridas são sempre cedo, e os treinos têm hora marcada. Acabo de entender o motivo pelo qual desisti das pistas.


6. Você se preocupa com a transcendência do seu trabalho? Gostaria de alcançar a fama e a glória?
Não sei o que é transcendência. A fama não me importa, já a Glória. Tens o telefone dela?


7. Você acha que gênios existem? De onde vem sua capacidade especial?
Não sei o que é transcendência. A fama não me importa, já a Glória. Tens o telefone dela?


8. O que é a arte para você?
Difícil, já tentei todos os conceitos, e acho que nenhum serve, e todos servem. Talvez a grandeza da arte esteja no fato de ser difícil de conceituar.


9. Quem te inspira? Por quê?
Difícil, já tentei todos os conceitos, e acho que nenhum serve, e todos servem. Talvez a grandeza da arte esteja no fato de ser difícil de conceituar.


10. O que você está lendo agora? Qual o livro preferido em sua biblioteca?
Estou lendo sempre uns dez livros ao mesmo tempo, até por causa do meu trabalho, que também é ler livros. Mas o de cabeceira, agora é O texto, ou: a vida, do Moacyr Scliar. O meu preferido é uma edição fac-similar de O guardador de rebanhos, do Fernando Pessoa.


11. Como é seu processo criativo? Quanto tempo passa desenvolvendo uma ideia?
Ficção, escrevo apenas quando tenho tempo. E não tenho tido ultimamente, Mas estou sempre escrevendo na cabeça. Posso passar décadas escrevendo na cabeça até ir ao papel.


12. PC, MAC ou lápis e papel? Por quê?
Um Mac Book da Apple, porque não entendo minha letra, e porque é bem mais produtivo.


13. Blog, Fotolog, Orkut, Facebook ou Twitter? Por quê?
Blogue é ótimo, porque é extremamente democrático, não precisa de editora, e é de graça. Orkut, só porque comecei e tenho pena de apagar todos os recados.


14. Existirmos, a que será que se destina?
Perpetuar a espécie e virar semente.


15. Lo que dices y lo que piensas, es lo mismo?
Si.


16. Qual o melhor momento do dia para trabalhar? Por quê?
Quando acordo, porque as ideias estão todas frescas. E na madrugada, quando ninguém telefona e não tem tanto barulho.


17. Qual seu site preferido?
Tem tantos bons, mas nenhum preferido. Abro todos os dias o Clic RBS, pra saber das coisas da aldeia.


18. É necessário muito treinamento técnico para exercer sua profissão?
Sim. Mas basicamente tem que ler muito, e de tudo. Leio de bula de remédio, até rótulo de shampoo. E não tem placa de rua que eu não leia. Acho que é doença.


19. Você se incomoda que critiquem seu trabalho?
Depende de quem e do como fazem a crítica. Mas no geral não me incomodo. Me irrito quando alguém crítica algo que nem está escrito. E acontece muito. Todo mundo só lê o que quer.


20. Acredita nisso de “não há nada de novo sob o sol”? Você gosta de experimentar e inovar?
Sobre o humano, nada há de novo sobre o sol. Adoro experimentar e inovar, mas tenho consciência de que a experiência é sempre pessoal e intransferível. A novidade está nisso, mas no coletivo, sempre alguém já teve uma ideia melhor antes de mim.


21. Drama ou comédia?
Drama e comédia


22. Houve algum momento que que tenha se dito: “Abandono tudo, não quero mais isso pra mim”?
Sim, várias vezes. Em algumas ocasiões, levei a sério, noutras, continuo dizendo.


23. Acredita no conceito de alma, espírito, energia vinculada (ou separada) ao corpo?
Não. Tudo é uma coisa só. Não existe alma, nem espírito. Mas acho poética a ideia, apesar de não conseguir acreditar, porque não há sequer evidências disso. A mente humana produz tudo, e nomeia tudo.


24. Voce já diz “No meu tempo não era assim!” ou “Que maravilha a época em que vivemos!”?
Digo as duas coisas. Algumas coisas do “meu tempo” eram boas, outras eram ruins. Do mesmo modo que hoje existem coisas abomináveis, mas coisas também maravilhosas.

25. Os seus nervos são de aço?
Acho que sim. Mas choro até em inauguração de supermercado.


A CLÁSSICA: O que você gostaria de ouvir de Deus quando chegasse lá?
Pensou que eu não existia, heim?

Como é seu local de trabalho?


Obrigada Fábio.

Conheçam mais sobre este Senhor aqui toda semana, e aqui em vídeo.

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